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MENSAGEM AOS VISITANTES DO BLOG

Saúdo todos os que acedem a este meu Blog, venham ou não, de futuro, a tornarem-se visitantes habituais do mesmo.

Apraz-me contar com todos neste espaço de partilha.

segunda-feira, 13 de junho de 2016




Conversas
de entretimento
entre Tomates, Abacates
e Alicates




M. Gama Duarte / 2016
(Instalação / composição)



Obs:

No grupo destes amigos há os que bebem, os que não bebem e os que bebem do mesmo copo.






M. Gama Duarte / 2016




























M. Gama Duarte / 2016
Nas fotos:
Uma das janelas das quais, por detrás das cortinas, alguém de vez em quando, ao fim da manhã ou há tardinha, espreita e observa conversas de entretimento entre tomates, abacates e alicates.




















… E
entres
os amigos
de que se fala,
muitas conversas
de interesse
se estabelecem, e se ouvem…


M. Gama Duarte / 2016
(Instalação / composição)

























É exemplo disso o seguinte trecho de uma conversa (alguém se lembra de a ter ouvido numa esplêndida manhã de Primavera):





M. Gama Duarte / 2016
(Instalação / composição)
M. Gama Duarte / 2016
(Instalação / composição)










M. Gama Duarte / 2016
(Instalação / composição)

“… E é mesmo verdade o que estão dizendo, amigos… Sempre houve gente boa nestas e noutras águas…
E não nos esqueçamos do célebre D. Quixote de Lá Prancha… – o primeiro grande surfista que viveu entre os séculos XVI e XVII (um castelhano já cota, e com uns tostões)… Por muita gente ele foi visto a surfar em marés de muitos mares e oceanos, enfrentando com coragem, e dominando, gigantescas ondas que ele julgava serem titânicos monstros marinhos… E o valente D. Quixote de Lá Prancha fazia-se acompanhar de um fiel amigo (um gajo assim como eu… parecido comigo) que era um campeão em bodybord”.




M. Gama Duarte
13 de Junho de  2016   
    

domingo, 22 de maio de 2016




Reflexões de Cirilo...



e a sua descoberta do gato que queria ser
instrutor de voo




Em certas horas vividas pelo pacato e solitário Cirilo – horas de algum azedume –, ele questionava-se: “O que serei eu num próximo, ou num distante, amanhã ? ... E o que hoje mesmo, afinal, eu sou?”. Eram as suas inquietações metafísicas… (ou não tão metafísicas assim).




M. Gama Duarte / 2016

Tema:
A memória,
o presente e o intemporal
                  



* * *


Uma vez mais Cirilo ali se encontrava sentado à mesa numa das esplanadas de café, que habitualmente frequentava na cidade onde havia nascido... E constatava (não seria, por ventura, a primeira vez que o assolava tal pensamento):
“Ganhei um certo sentimento de afecto pelos objectos, e sítios onde me posso sentar… seja à mesa de uma esplanada, como é o caso (agora), seja à beira de um lago num qualquer jardim desta cidade”.

E estes pensamentos surgiam-lhe, não porque de imediato Cirilo associasse o mero repouso, ou o mero lazer, ao acto de se sentar… (não era essa a razão daquele seu sentimento de afecto pelos objectos, ou sítios, onde se podia sentar).

Cirilo associava esses objectos, ou sítios – tão comuns no seu cotidiano e onde se podia sentar (quaisquer que eles fossem) – a algo muito diferente. E ele tinha a explicação pronta (que lha pedissem – a explicação –, que ele logo a apresentaria): “É a atitude de esses objectos, ou sítios, me aceitarem… – ou  o carinho de receberem o meu corpo”.

* * *




M. Gama Duarte / 2016

Tema:
A memória,
o presente e o intemporal
                  

























* * *

Era verdade que algo nessas coisas e nesses sítios lhe fazia lembrar os braços e o ventre da sua mãe... – os braços e o ventre da sua mão ganhando aquele jeito que por fim era o colo que aconchegaria Cirilo.
Aí, nesse colo, ou regaço, Cirilo verdadeiramente descansava e dormia o seu sono mais perfeito.

Os “colos, ou regaços” que hoje “aninham” Cirilo, não têm esse calor… O calor que neles sente é o calor que o seu próprio corpo produz (é o próprio corpo de Cirilo que aquece esses “colos, ou regaços”)… – por isso é um calor solitário.

Esses regaços: bancos e cadeiras de esplanadas de cafés, de Cervejarias ou de jardins, todavia são para Cirilo regaços onde não é fácil a sobrevivência. E Cirilo questionava:

“O que serei eu um dia???... – lá longe (não sei daqui por quanto tempo ou por quantos anos, ou por quantos segundos)”. E mesmo sobre o presente Cirilo questionava:
“O que restará de mim hoje?... (Sim!... – pergunto)
Estou sentado neste banco alto fixo ao chão, e o balcão dista do meu peito cerca de palmo e meio… e pergunto: o que resta de mim hoje de mim e ocupa, neste momento, este assento onde me sinto confortável?”

Cirilo, quando escrevia, recorria a miúde a uma linguagem metafórica. E por vezes confiava o que escrevia à leitura de um amigo. E num desses textos ,propósito deste tema, esse amigo leu:
“Sobre o acento deste banco, talvez nada mais de importante se encontre que o indispensável de mim: aqueles pedaços da mente que me permitem o elaborar as ideias e autorizam a transmissão dessas mesmas ideias à mão que as descarrega na superfície branca desta folha de papel. E, para efeitos da escrita, a responsabilidade recai essencialmente no dedo polegar, no dedo indicador e no dedo médio… Pois são estes três dedos que asseguram o empunhar com firmeza o instrumento com que escrevo”.



* * *  

Daí por minutos já não encontraremos Cirilo sentado àquela mesa de café. O que resta de si abandonará aquela cadeira. Cirilo regressa ao mundo concreto logo que os seus pés reiniciem a caminhada (uma caminhada que será tão lenta quanto afoita… – afinal o que significa para Cirilo o tempo?...).



M. Gama Duarte / 2016

Tema:
A memória,
o presente e o intemporal
                  

























* * *

Cirilo olha-se. Soma-se palmo a palmo – faz a contabilidade ao que resta de si (ao que é)... Afinal ainda se encontra razoavelmente inteiro.
– “E do dia de hoje?... O que restará dele?” – Pergunta Cirilo à fivela do seu cinto ao mesmo tempo que confere se o cós das calças está situado conveniente. Cirilo quer uma resposta!.. (será ainda dia?... Será já noite?).





* * *



M. Gama Duarte / 2016
Cirilo olha o céu...
















... E, a enfeitar o azul, um círculo com um semblante de tal maneira diferente que não o informa sobre o que vê: se Lua se Sol.


M. Gama Duarte / 2016

























Assunto do Desenho:

O gato que desejava ser instrutor de voo, tal como o seu amigo (o gato Zorbas) que é um dos personagens da “Historia de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar” da autoria do escritor Luís Sepúlveda.    



Esse círculo roça um dos telhados: insinua-se num horizonte de telhas, de antenas combalidas, de chaminés num arfar mortiço... E um gato preto que farejava por perto resolve trepar a um décimo andar. O gato aproxima-se do círculo (que nem Lua nem Sol).
Entretanto o gato pára e espreguiça-se… e lambe, quase que libidinosamente, uma das patas… E prossegue. Entra por fim no círculo, ocupando o seu centro. E desta vez pára para se deitar.

– “O que lhe irá na cabeça daquele gato? – interroga-se Cirilo. E Cirilo vai-se esforçando na tentativa de, mentalmente, alcançar os intentos do gato… E mesmo que mais longe Cirilo não chegue, ou seja: à verdade, pelo menos Cirilo imagina. E nisto chega a uma conclusão:
– “Mais um felino com a ambição de vir a ser um afamado instrutor de voo”.






M. Gama Duarte

21 de Maio de 2016
       
         
                  
         

       

terça-feira, 17 de maio de 2016



Falar
de Clotilde



Mauro certa madrugada, após uma ronda pelos telhados do seu bairro e um sono leve, acordou com o pensamento em Clotilde.


M. Gama Duarte /2016
(Instalação)

Título:
Falar
de Clotilde

Apoio
Na resolução fotográfica:
Artur Duarte


























Clotilde tinha o significado, nem mais nem menos, de uma amizade antiga que Mauro partilhava com Carolino.
Carolino era um laçarote mecânico voador, e um amigo de Mauro já de longa data.
Carolino era uma criatura bem apessoada… simpática e bem falante.
Estes dois bons amigos – Mauro e Carlino – quase todos os dias se encontravam e conversavam. E esses encontros aconteciam tanto em quintais bem cuidados e soalheiros, como em traseiras ao abandono e sombrias de casas onde já ninguém morava. Lugares estes onde por vezes Clotilde se refugiava, passando temporadas sem ser vista. 


M. Gama Duarte /2016

Título:
Onde se terá
escondido Clotilde



Nesses encontros, Mauro e Carolino recordavam fabulosas tertúlias. E, por sua vez, cada um relatava entusiasticamente as suas novas e epopeicas aventuras.


E então nessa madrugada, quando o Sol já se preparava para espreitar na linha do horizonte, Mauro, por sorte, encontrou o seu velho amigo Carolino (o laçarote mecânico voador). E tendo Mauro nesse raiar do dia o pensamento em Clotilde, era razão para fazer o seguinte pedido a Carolino, que era um compulsivo falador:



M. Gama Duarte /2016
(Instalação) 
Título:
Mauro e Carolino
conversam
ao Sol raiar

Apoio
na resolução fotográfica:
Artur Duarte 

– Vá, amigo… – fala lá hoje da nossa amiga Clotilde.





















Há muito que eu conheço o gato Mauro e o laçarote mecânico voador Carolino.
Eles também eram visitas habituais no quintal que pertencia à casa antiga onde em tempos, em Lisboa, eu morava.
Quando estes dois amigos por lá paravam, nesse quintal da velha casa onde eu morava, e dava conta da sua presença, sentava-me à mesa de trabalho da divisão da casa que me servia de estúdio, e observava-os… Observava-os e ouvia-os…
E muito eu ouvi dessas conversas ente Mauro e Carolino. Mas ignorando eu (e ainda ignoro) se eles tinham percepção de que não estavam sós.
Mas, Independentemente disso, ao longo de todos os anos em que vivi naquela casa, nunca deixei de ter o prazer de receber no meu quintal a visita daqueles dois invulgares amigos: Mauro e Carolino.
Ouvi-os falar de Clotilde… várias vezes os ouvi falarem da sua amiga Clotilde.
Uma das vezes foi nesse fim de madrugada em que Mauro pediu a Carolino:
 – Vá, amigo… – fala lá hoje da nossa amiga Clotilde. Era só mais uma vez entre outras
E Carolino falou de Clotilde, fazendo a vontade a Mauro.


E hoje eu também poderia falar de Clotilde.
Mas o texto que aqui publico hoje foi escrito no dia 20 de Novembro do ano de 2007. E Intitula-se:

O Paradigma de Clotilde… E é datado de uma altura em que ainda não era comum falar-se em paradigmas… ou seja: antes do caso paradigmático, muito badalado anos depois, em que um gorgulho decidiu mudar de vida e o plano que pôs em prática foi abandonar o feijão-frade e ir-se alojar numa bolota.  



M. Gama Duarte /2016
(Instalação)
Título:
Mauro e Carolino
conversam
ao Sol raiar

Apoio
Na resolução fotográfica:
Artur Duarte  




o Paradigma de Clotilde



















... E obviamente que um dia teria que falar de Clotilde: a barata amiga de Mauro e Carolino.
E é certo que as baratas não são todas iguais…
E esta – a barata amiga de Mauro e Carolino (Clotilde) – é um dos casos sobre o qual é justo dizer-se que não é uma barata como as outras (ela é uma barata diferente… – não se inclui no comum das baratas).
Ela é um arquétipo: a primeira barata de uma nova geração de baratas… Um dia, no futuro, todas as baratas serão como ela.
E que se cuidem as formigas, as cigarras, as joaninhas… etc. … Pois a todas Clotilde supera em esperteza, arte e elegância.
Clotilde dança, toca piano e fala frantuguês (a língua franco-latina).
Clotilde é, indiscutivelmente, um prodígio…

Barata: uma palavra (uma palavra-nome…) – palavra significante que, ao ser pronunciada, logo nos conduz a uma precisa imagem: aquele ser pequenino que todos conhecemos.
Porém, a palavra barata não apenas (ou não fatalmente) nos condiciona a mente num sentido em que se nos afigure de imediato, e só, a barata dos compêndios de zoologia com belas encadernações rígidas, e dos coloridos e lustrosos cromos da História Natural de que fui coleccionador com direito a caderneta.

Convivemos no nosso cotidiano com uma determinada dimensão de significantes e significados em que a língua, falada e escrita, não pode renunciar ao seu compromisso histórico.
E nesta vertente, a palavra barata associa-se a referências de excelência. Como exemplo: a antiquíssima “Livraria Barata” em Lisboa, fundada em 1732; Rua Barata Salgueiro, onde se encontram a Sociedade Nacional de Belas Artes e a Cinemateca Nacional, também em Lisboa.
E se certo é que “baratas são carochas”, porque não relembrar a doce e ancestral relação (fabulosa relação) entre a carochinha e o João Ratão.


 
M. Gama Duarte /2016

Título:
Afinal
onde se terá
escondido Clotilde




















M. Gama Duarte

20 de Novembro de 2007