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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016



Tríptico Assimétrico

“…E nas margens do céu
 eu sentei-me
E…”






   – “Vamos…






Vamos olhar o céu! …











… Do Mar, em mim, ainda não se acusam saudades.















… Mas ainda bem me recordo… – recordo o seu Azul e os seus Verdes… (tão Sonoros que eram)… Ainda bem me lembro… (lembram-se os meus ouvidos… – estes sim: capazes de se recordarem daqueles Verdes… e daquele Azul




Er'à verdade: Eurico – o Frei  (Frei Eurico, como os mais íntimos o tratavam) ainda bem se lembrava…                   



Mas por outro lado, os olhos de Eurico talvez padecessem em particulares momentos da incapacidade de reterem em memória o som das estrelas… e o som do negro e do azul do firmamento…


















(As estrelas fixam-se a uma tremenda distância… a uma distância incalculável… e o firmamento Eurico procurava-o e encontrava-o sempre num lugar incerto…)




...

… É mágica e misteriosa a arte que existe nessa lonjura imensa (indizível) do firmamento. Mas por intermédio dela (dessa arte), coexistem a distância e um permanente êxtase de silêncio… E todos os sinais que em intermitência Eurico sentia, talvez viessem desse além com o fim de o despertarem... E tais sinais pronunciavam-se numa silenciosa e subtil linguagem.



Mas algures – bem o sabia Eurico – também existe um eremitério em chão macio e plano… e nele (nesse eremitério) não há sombras… Ou algo a que se poderia chamar sombras simplesmente seriam espaços onde a luz menos tocasse.


Nos corredores, nos recantos, e em esconsos desse eremitério, o tempo produz correntes levemente perceptíveis, assemelhando-se essas correntes a brisas em delicados movimentos, como que num fino e interminável tricot… – brisas que entram por janelas escancaradas ou entreabertas (e mesmo que fechadas se encontrem) e tudo percorrem e penetram…


No eremitério, o tempo é alimentado ao peito e vai pulando de regaço materno em regaço materno.

No eremitério não existe escuridão. Ilumina-o eternamente candelabros, lanternas, candeias, tochas, archotes… lustres cintilantes.

À epiderme do corpo que a Eurico permite as astrais experiências, não escapa a coada luz dos seus vitrais interiores – estes tão coloridos quanto a alegria que vivifica cada uma das suas víscera.

À revelia do labor do pensamento (do pensamento missionário e obreiro de Eurico), a um ritmo abstracto vão-se erguendo por vezes muralhas de linho, onde, no grão fino do seu alçado que pende e ondula, os pigmentos das enigmáticas imagens se vão esbatendo.



No eremitério procuram-se clarabóias onde não é possível encontrar-se céu; procuram-se imagens em caixilhos onde não se encontram nem janelas nem varandins…










No eremitério, os rumores, os murmúrios e os zumbidos, são melodias e cantares num sereno coro… E estas melodias e cantares num sereno coro serão talvez as cores do mar que a qualquer distância, e de qualquer ângulo de visão, Eurico é capaz de ouvir de memória (bem se lembra Eurico das cores do Mar).  


Do Mar Eurico ainda se recorda… (Eurico está convencido de que as seus ouvidos são búzios).






“… E o Céu?... E as estrelas?... Onde está ele, o Céu… e onde estão elas, as estrelas?... Será que ainda nos lugares de sempre?...”
E Eurico eleva os olhos tendo a sensação que o seu corpo cresce acompanhando o seu olhar.

Como que numa redoma transparente (cristalina), e protegida por firmes paredes ,  vive uma lenda que fala do suspiro de um dedo que aponta rompendo um misterioso oculto… Tal como o ponteiro de uma bússola ao tocar ao longe todos os horizontes… Ou como a vara de um druida que penetra as cortinas do tempo…


Há um mirar ao longe… – olhares velozes empurrados pelo eflúvio da curiosidade e da dúvida… seguindo um dedo que aponta tal como o ponteiro da bússola… Ou como a vara do druida penetra as cortinas do tempo…

(Eurico ainda olha para o alto, enquanto recorda o azul e os verdes do Mar).










Texto:
M.  Gama Duarte
12 de Outubro de 2011

Fotografia:
M. Gama Duarte


    

       

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